A mandiqüera…

6 de Março de 2012

Heineken

Arquivado em: A mandiqüera... — evandro @ 13:53

Heineken

20 de Janeiro de 2008

Poder da mente

Arquivado em: A mandiqüera... — Nivaldo Simões @ 15:21

Eu tenho recebido, através do site do jornal canalABERTO, muitos filmetes e Slides Shows, alguns engraçados, outros com mensagens interessantes. Como se trata de material interessante, resolvi ”expor” parte desse material aqui no blog. Começo com um comercial da Budweiser, sobre um poder que muitos brasileiros gostariam de ter.  Para ver, basta clicar no link >>>> parapsicologia.wmv

19 de Janeiro de 2008

Cabeça d’água

Arquivado em: A mandiqüera... — Nivaldo Simões @ 14:00

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Mas rapaz, que aguaceiro está caindo agora, biste?

Eu moro em Ilhabela há 31 anos e não me lembro de ter visto um verão tão seco. Seco e quente. Essa semana, as chuvas parecem que resolveram fazer o que sempre fizeram no verão: chover no final da tarde e à noite. O interessante, devido às características da nossa região, é que as chuvas caem de forma totalmente diferente em ambos os lados do Canal de São Sebastião. Enquanto que no continente está o maior aguaceiro, no arquipélago mal chove; e vice-versa.

Nessa época de chuvas fortes, uma coisa que a moçada deve ficar esperta é com essa história de andar na mata sem o acompanhamento de gente experiente. O ideal é sempre estar acompanhado de gente experiente na mata, porque a gente nunca sabe quando vai chover. Existe um fenômeno, a cabeça d’água (que a molecada chama de “toddy”) que é um perigo. É quando o volume da cachoeira sobe muito e rápido. Isso ocorre em cachoeiras que ficam em grandes bacias. Às vezes onde a gente está não cai um pingo d’água, mas chove forte nas cabeceiras e a água desce toda de uma vez para a cachoeira. A correnteza fica que fica, arrastando tudo o que encontra pela frente, inclusive troncos de árvores. Negócio feio.

Em Ilhabela, as cabeças d’água costumam ocorrer nas cachoeiras da Laje, do Areado e naquela que fica no final da Estrada dos Castelhanos. Em São Sebastião, o fenômeno ocorre todos os anos no Ribeirão do Itu e no Ribeirão Cristina, o principal contribuinte do Rio Una.

Semana passada, quarenta turistas ficaram ilhados por uma cabeça d’água no Ribeirão do Itu. Essa cachoeira é punk. Todo ano mata duas ou três pessoas, pelo menos. Para fazer a trilha do Ribeirão do Itu, a gente é obrigada a atravessar a cachoeira quase trinta vezes. Não precisa ser nenhum especialista para saber que vem encrenca pela frente quando chove forte…

Na Laje a coisa também não é fácil. Há coisa de cinco anos morreu uma moça lá, tentando atravessar a cachoeira durante o “toddy”. Ela e o namorado voltavam do Bonete. Alguém colocou uma corda para ajudar a travessia do rio. Foi isso que matou ela, pois se não tivesse a corda ela não teria tentado atravessar, com certeza.

A cachoeira dos Castelhanos também não é batatinha. Já arrastou diversos veículos. Não morreu ninguém por muita sorte. O negócio é não facilitar: na dúvida, não arrisque. Mesmo em trilhas onde não existam cachoeiras, andar na mata com chuva é algo que não deve ser encarado como brincadeira. Escorregar em hora e local errado já levou um bocado de gente pro hospital e pra debaixo da terra. Todo cuidado é pouco.

E a chuva continua mandando ver lá fora, ou seja, as coisas voltaram ao normal… Que toró!

30 de Novembro de 2007

Desrespeito surrealista

Arquivado em: A mandiqüera... — Nivaldo Simões @ 19:45

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Entra empresa terceirizada, sai empresa terceirizada, passa boi, passa boiada, e o Dersa continua atravessando e andando para os pobres usuários do (des)serviço de travessia do Canal de São Sebastião.Uma das maiores e constantes reclamações têm girado em torno da total inobservância no cumprimento dos horários de saída das embarcações. Uma zona. E dizer que houve tempo em que as balsas eram, literalmente, uns relógiozinhos…

Resta claro que os usuários – pedestres e condutores de veículos – não são a prioridade da operação.A coisa anda tão avacalhada na travessia entre Ilhabela e São Sebastião, que até mesmo os relógios que existiam nos terminais – continental e insular – foram retirados. O que voltou a vigorar agora é o relógio de cada um dos mestres das balsas em operação na travessia. Só isso é o suficiente para criar uma baciada de confusões com os usuários.

Lembrando que relógio é um negócio que existe espalhado por todo o planeta azul em todo santo terminal de passageiros, quer seja ele rodoviário, hidroviário, aeroviário, ferroviário, metroviário, protozoário, seu Olegário, otário e os cambaus. Gajo safo quando o assunto é marinharia, seu Biditinho Tapioca – caiçara velho da Ponta do Rabo Azedo – lembra, de cor e salteado, que a NORMAM-02/DPC/2005, determina, entre outra coisas, que a “concessionária (do serviço de travessia) fixará em local visível ao público, junto aos pontos de embarque, os horários regulares de travessia, ou o período de funcionamento daquelas que dependem do movimento em cada margem”.
 

Essa NORMAM (Normas da Autoridade Marítima) é a mesma que determina o interrompimento da travessia no caso de “condições ambientais adversas”, tipo – com diz Biditinho – cerraçãum, neboêro, argania de bento, tribuzãna.Seu Biditinho Tapioca está coberto de razão quando afirma que só existe um órgão na face da terra que consegue enquadrar e colocar o pessoal do “serviço” de travessia do Canal de São Sebastião na linha: a Delegacia da Capitania dos Portos de São Sebastião.

Se é obrigatório fixar em “local visível ao público os horários regulares de travessia”, isso significa que o usuário tem o direito de cobrar da concessionária do serviço de travessia o cumprimento dos horários.

Como fazer isso sem os benditos relógios e sem os horários em locais visíveis ao público?

Que Deus e a Delegacia da Capitania dos Portos tenham piedade de nossas pobres, sofridas, relegadas, penadas e quase desesperançadas almas…

27 de Novembro de 2007

A dengue e os dengosos do litoral norte

Arquivado em: A mandiqüera... — Nivaldo Simões @ 21:50

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O Brasil é um país que sempre me surpreende.

Com a dengue comendo solta na grande nação brasílica, uma das maiores dificuldades que os agentes de saúde do litoral norte envolvidos no combate à miseravelzinha da sirigaitazinha da mosquita (é só a fêmea que pica animais e humanos) transmissora da doença, é o fato de até 40% das moradias da região - pertencentes aos senhores veranistas - estarem fechadas ao longo do ano, impedindo a entrada dos técnicos atrás de criadouros das larvas.

No último sábado, “Dia D de Combate á Dengue”, a rapeice da Saúde de Caraguatatuba vistoriou 500 residências na região do Rio do Ouro (pra quem não sabe, é um bairro que fica às margens da rodovia dos Tamoios), sendo que não puderam entrar em 222 delas porque estavam fechadas. Em outras sete os funcionários foram impedidos de entrar.

Como diz meu tio-avô Casimirus:

Ara, mas faça-me o santo favor!…

 

Justo em Caraguatatuba, onde o pau está comendo. Minha santa mandioquinha: desde o início deste ano, a Saúde de Caraguatatuba recebeu 1.748 notificações de supostos casos de dengue, sendo que 859 casos revelaram-se positivos - quase 1% da população fixa do município! - e 851 negativos. Resta saber ainda os resultados de outros 78 exames.

Com tudo isso é os camaradas fazendo dengo?!…

Ara, mas faça-me o santo favor!…

A secretaria de Saúde de São Sebastião notificou, em 2007, 346 casos suspeitos de dengue. Desse total, foram confirmados 131 casos da doença, sendo 126 autóctones (a doença foi contraída no próprio município) e cinco “importados” (a doença foi contraída em outros municípios). A secretaria aguarda ainda o resultado de 55 exames, sendo que 161 suspeitas deram resultados negativos. 

Também este ano, foram notificados pela secretaria de Saúde de Ilhabela 107 casos suspeitos da doença. Desde total foram confirmados apenas sete casos de dengue, sendo 5 importados e dois autóctones. Os outros 100 casos suspeitos tiveram exames com resultados negativos.

 

Eu não sei porque cargas d’água os municípios estão com  essa complacência toda. Tem que seguir o exemplo de outras cidadesa, como Belo Horizonte, que criaram lei municipal permitindo - na marra - a entrada de agentes de combate à dengue em imóveis fechados.

Tem que estabelecer também mecanismo que acabe com essa conversa mole de morador impedindo a entrada dos agentes. Mete multa e chama a polícia. Estamos em meio a um surto de dengue e é necessário endurecer pra cima dessa turma de folgazões irresponsáveis

Dona Elzbieta, minha vovó lituana, não se cansa de dizer:

Deus querendo, água fria é remédio!

Além do que, os caboclos que entendem do riscado, afirmam que o Brasil precisa adotar normas que permitam a responsabilização de gestores que sejam ineficientes no combate à dengue. Isso porque, simplesmente, não existe uma hierarquia nessa área, os municípios reportam-se diretamente ao Ministério da Saúde.

26 de Novembro de 2007

Brincando com fogo, literalmente

Arquivado em: A mandiqüera... — Nivaldo Simões @ 14:06

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Impressionantes as imagens, neste final de semana, dos novos incêndios florestais ocorridos na Flórida, desta vez na prazenteira cidade litorânea de Malibu. Mesmo em se tratando de um estado rico no país mais rico do planeta azul, o aparato de segurança não consegue controlar o fogo, que consumiu diversas propriedades. O fogo começou na madrugada de sábado e se alastrou rapidamente devido aos fortes ventos de “Santa Ana”.

Os investigadores concluíram que o incêndio foi causado por uma pessoa, mas ainda não sabem se foi criminoso.  No mês passado, incêndios florestais no Estado da Califórnia deixaram pelo menos 14 mortos e forçaram 640 mil pessoas a abandonarem as suas casas. Algo bastante semelhante ocorreu, há poucas semanas, em cidades européias.

As pessoas não atinaram, ainda, que desastre semelhante tem toda chance de ocorrer aqui no litoral norte, bastando haver a conjugação de estiagem prolongada e ventos fortes. É quando uma queimada pode se transformar em incêndio florestal.

Na década de 1970 ocorreu um incêndio florestal no bairro da Pacoíba, região norte de Ilhabela. A coisa só não foi uma catástrofe porque o incêndio não ocorreu em época de estiagem, daquelas que costumam ocorrer em nossa região nos meses de fevereiro, maio, junho.

Uma queimada pode começar de várias maneiras, criminosas ou não. A maior queimada que eu presenciei em Ilhabela começou quando três crianças brincavam queimando uma garrafa PET de Coca-Cola. O PET quando queima vai pingando e fazendo barulho. Outras tantas queimadas começam com donas de casa ou caseiros queimando folhas e grama seca no fundo do quintal.  Outras, ainda, com a mania que muita gente tem de ver mato seco e colocar fogo.

O fato é que não temos qualquer esquema para combater queimadas; com a coisa sendo mais séria ainda em Ilhabela que nem guarnição do Corpo de Bombeiros tem.

Além de poderem provocar incêndios florestais, as queimadas produzem faíscas que o vento carrega para longe, podendo provocar incêndios em edificações, principalmente naquelas cobertas com piaçava, que as prefeituras da região estão aprovando com a maior facilidade.

A pergunta que fica é: será que tem alguém se preocupando com isso?

A resposta é: não, mesmo!…

19 de Novembro de 2007

O birrento

Arquivado em: A mandiqüera... — Nivaldo Simões @ 10:43

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Nos últimos dias, os fiscais de trânsito de Ilhabela voltaram a organizar a fila no terminal das balsas da Barra Velha. Depois que começou a reforma na avenida Princesa Isabel – no trecho que vai da rotatória até o pontão das balsas os fiscais deixaram de organizar a fila nesse trecho, por determinação do comando, por pura birra do senhor Laudelino Dias, diretor do Trânsito ilhéu. O motivo da birra é que ele não concorda com parte da reforma que foi feita e, por isso, tirou seu time de campo – literalmente – na organização da fila naquele setor. Dizia ele, também, que organização da fila no terminal é obrigação do Dersa. Como resultado, confusão na fila quase todo santo dia.

O diretor age como se o trecho da avenida Princesa Isabel não seja parte integrante do arquipélago de Ilhabela… Se o Dersa não se virar, os ilhéus que se virem, os turistas que se virem. É o fim da picada.

Além do que, a bagunça não envolve apenas a fila naquele trecho da Princesa Isabel. O diretor diz que enquanto não for colocada a sinalização de trânsito - que já está prontinha, segundo minhas fontes - os fiscais de trânsito não vão fiscalizar o estacionamento irregular ou outras infrações que ocorram entre a rotatória e a sede da PM. Nem fiscalizar, nem orientar.

Hoje, os fiscais de trânsito estavam lá organizando a fila tomando chuva nas costas porque, segundo dois deles, eles não possuem capas de chuva! Pode uma coisa dessas, fiscal de trânsito sem capa de chuva para trabalhar?! Falta de respeito e/ou de um mínimo de organização, pois com toda renda das multas tendo que reverter para aplicação no próprio trânsito, é inacreditável que a Divisão não tenha dinheiro pra comprar capas, instrumento de trabalho obrigatório para quem trabalha nas ruas.

A não ser que a aplicação de multas tenha caído a zero. Pode ser. Em se tratando do trânsito de Ilhabela, tudo pode ser…

Continuo estressado com essa história de 200 ciclistas e 191 motoqueiros terem ido parar no pronto socorro municipal no primeiro semestre desse ano, ou seja, mais que dois casos por dia em uma cidade minúscula como Ilhabela. Um absurdo, uma irresponsabilidade sem tamanho. O pior que o senhor diretor de Trânsito não meche uma palha para fiscalizar os ciclistas e motoqueiros abusados e, por cima, ainda ficou tiririca com as críticas que o jornal vem fazendo, incluindo o “abandono” da fila, dizendo que o canalABERTO está batendo muito nele.

É dose!…

18 de Novembro de 2007

Resíduos sólidos: a revisão dos conceitos

Arquivado em: A mandiqüera... — Nivaldo Simões @ 14:21

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Se existe algo que necessita ser reciclado é o próprio conceito que o brasileiro tem da reciclagem.

Primeiro de tudo, é preciso lembrar que, em todo o planeta azul, a reciclagem é a perna capenga do tripé formado pelos famosos Rs: Redução, Reutilização e Reciclagem.

Em países do terceiro mundo, como a nação brasílica, a reciclagem é uma tremenda arapuca armada pela indústria das embalagens e, principalmente, dos vasilhames de polietileno tereftálico – ou PET,para os íntimos.

Por que arapuca?

No ano passado, o Brasil conseguiu reciclar 96% das latinhas de alumínio produzidas pela indústria, mantendo sua condição de campeão mundial nessa modalidade.  A latinha de alumínio, depois de reciclada, volta a ser latinha de alumínio, ou seja, o alumínio não perde sua qualidade. O mesmo não acontece com o PET. A indústria diz que, hoje, 47% da produção de PET no Brasil é reciclada. O pessoal que está ligado nessa questão acredita que o percentual de reciclagem está superestimado, porque, ao contrário do alumínio, após a reciclagem o polietileno tereftálico (obtido através do petróleo) perde muito em qualidade e nunca mais será utilizado como vasilhame. Essa perda de qualidade é o principal entrave na reciclagem do PET, pois isso limita seu emprego na indústria. Por isso é que o valor pago pelo PET aos catadores é muito menor que o da latinha.

Além disso, o polietileno tereftálico só pode ser reciclado uma única vez, sendo utilizado na fabricação, entre outros, de conduítes, “madeira” plástica, fio para produção de tecido.  Assim, mesmo que 47% do PET seja reciclado, isso só ocorre uma única vez.

Quem está doidinha para entrar no PET é a indústria brasileira da cerveja. O jogo é de times pesos-pesados. A Alcoa, maior fabricante de latinhas de alumínio no Brasil, tornou-se a maior fabricante de PET da América Latina e está afinzona de engarrafar cerveja em PET.

Mas aí o caboclo pergunta: que mal têm se a cerveja em vasilhame PET existe no mundo todo? Só que no mundo todo fica a cargo da indústria que produz o PET recolher o vasilhame PET vazio, sendo que no Brasil esse compromisso foi firmado e nunca cumprido. E nunca será, porque existe um lobby violento da indústria para que a obrigatoriedade do recolhimento pelos fabricantes e comerciantes não seja incluída na Política Nacional de Resíduos Sólidos, cujo projeto de lei acaba de dar entrada no Congresso e cujo teor demonstra que pouquíssima coisa irá mudar nessa área.

Não só os fabricantes do PET como os de uma grande variedade de embalagens e vasilhames utiliza o sucesso das latinhas de alumínio para inundar o Brasil de resíduos sólidos “potencialmente recicláveis”, mas que, no fundo, termina sobrando para a natureza e as prefeituras darem conta de sumir com todo esse lixo.

No mundo civilizado, quem ter que recolher vasilhames e embalagens – quer eles sejam mandados para o lixo ou para a reciclagem é a indústria, que os produzem, e o comércio, que os vendem.  No Brasil, quem arca com o prejuízo de fazer isso são as prefeituras, ou seja, nós, diretamente através do pagamento de tributos, ou, indiretamente, pelo que as prefeituras deixam de investir em outras áreas para ter que enterrar milhões de toneladas de embalagens e vasilhames, muitas vezes tendo  ainda que gastar para recuperá-los dos rios, bueiros, praias, represas. Basta chover que o que a gente mais vê boiando por aí são os PETs.

Mas ao município não cabe apenas de livrar do lixo. No caso da sucata, também é o município  que tem que se virar para recolhe-la na casas dos contribuintes. A coleta seletiva feita pelo município é extremamente cara em relação ao pequeno volume da sucata recolhida e o valor obtido por ela na indústria da reciclagem. Com certeza absoluta a chamada “coleta seletiva” dá prejuízo, ainda mais quando ela é realizada diariamente ou mesmo em dias alternados, como em certos bairros de São Sebastião, por exemplo; algo impensável em muitos países, onde essa coleta fica a cargo da indústria e é realizada quinzenal ou mensalmente. Nem mesmo a coleta de lixo orgânico é realizada diariamente em vários lugares do mundo; no máximo uma vez por semana ou de 15 em 15 dias.

Mesmo sendo caro exportar o lixo – que é o que fazem Ilhabela, São Sebastião e Caraguatatuba –, pode sair mais caro ainda recolher a sucata. No caso de São Sebastião isso ocorre com certeza. Com a agravante que uita gente não mais se interessa em separar a sucata do lixo orgânico, pois sabe que todos os resíduos são exportados.

Outro dia vi uma cena que demonstra com clareza o quão atrasados estamos em termos de conceitos. Uma moça sentou-se ao meu lado no balcão da padaria Elite, em São Sebastião, e pediu um lanche e uma latinha de Coca-Cola. Eu estranhei, porque na padaria tem Coca em garrafa. Depois de comer o lanche e tomar o refrigerante, a moça abriu o zíper de sua bolsa e guardou a latinha, feliz da vida. Pensando, é claro, na venda da latinha (por ela mesma ou pela associação da escola ou do bairro), ela estava crente de ter feito um negócio da China, mas pagou muito mais caro pelo refrigerante em latinha do que teria pagado pela garrafa. Levou na cabeça.

Além de ser mais barato o que tem dentro, a garrafinha de Coca-Cola pode ser reutilizada pelo menos por 20 vezes (ela começa a ficar esbranquiçada e com o gargalo picotado) para, depois, ser reciclada infinitas vezes (ao contrário do PET), economizando o que tem de escasso e, portanto, caro, no planeta: matéria prima e energia elétrica. É por isso que em alguns países é terminantemente produzir vasilhames que não sejam de vidro, reutilizáveis.

Fica claro que, mesmo em relação às latinhas de alumínio, o fato de reciclarmos 96% das latinhas de alumínio não é tanta vantagem assim…

Sem contar no duro danado que damos para para tirar os catadores do atacado dos lixões, para vermos milhares de pessoas – crianças e idosos, na maioria das vezes revirando o lixo no varejo das ruas, atrás de latinhas e outros recicláveis menos votados.

Reciclagem é mero paliativo, mas, no Brasil depauperado, virou o conceito principal; tomando o lugar da redução e da reutilização, para alegria, delírio e gáudio da indústria e das empresas coletoras de lixo que, agora, descobriram o filão dos aterros de lixo particulares.

16 de Novembro de 2007

Sem sacolinhas o Brasil pára

Arquivado em: A mandiqüera... — Nivaldo Simões @ 0:03

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Ao término de um estudo graviométrico que eu promovi em São Sebastião, em 2004, ficamos abismados com o volume de plásticos finos que vai pro lixo.

Nesse estudo a gente pegou, aleatoriamente, um determinado volume de lixo produzido nos quatros cantos da cidade, ao longo de seis meses, e destrinchou o seu conteúdo, através de separação manual e pesagem de cada item. Cerca de 6% do peso do lixo pesquisado era composto pelos filmes, ou seja, sacolinhas de supermercado, sacos de lixo, embalagens de uma série de produtos (saco de arroz, de açúcar, de pipoca e uma infinidade de coisas), saquinho de micro-ondas, saquinhos de leite e de uma infinidade de outros líquidos, lonas agrícolas, embalagens de roupas e por aí vai.

Como o filme é bem leve, 6% do total do peso lixo de uma cidade é uma enormidade e ocupa um espaço danado; sem contar que é um material de difícil degradação depois que vai para os aterros ou fica jogado na natureza.

O item “filme” mais presente no lixo é a sacolinha de supermercado. Por isso há um magote de especialistas em resíduos sólidos que quer ver o diabo na frente, mas não quer ouvir falar em sacolinhas de supermercado; tem pití só de ouvir falar nelas.

O problema é que a bandida da sacolinha incorporou-se, e arraigadamente, à cultura do cidadão brasílico. É utilizada pelo ciclista para forrar o selim da magrela e não molhar a buzunfa; a surfistinha a utiliza para colocar roupa molhada; quitandeiros, feirantes, açougueiros, peixeiros, tintureiros, padeiros, vendeiros não seriam nada sem as sacolinhas; o motoqueiro as utiliza para não molhar os pés quando chove; o favelado as utiliza para isolar as emendas dos fios elétricos nos milhões de gatos; a madame para colocar o cocô do cachorro; o soldado do Bope, tropa de elite, para torturar o traficante; o traficante para produzir os sacolés e as trouxinhas; o pescador para levar os lanches e as iscas, trazer e guardar o peixe no congelador; a dona de casa, então, essa tem centenas de utilidades para as sacolinhas, sendo uma delas para colocar o lixo…

Hoje mesmo, no supermercado Frade, o casal colocou um punhado de sacolinhas vazias nas sacolinhas com as compras. Fazem isso não apenas porque acreditam estar levando vantagem ao pegarem, de graça, um monte de sacolinhas, como se elas não fossem pagas por nós… Fazem isso porque os brasileiros não sabem mais se virar sem as sacolinhas.

Os produtores de filmes e os donos de supermercados, esse vivem rindo, pois ganham dinheiro feito água. Quem paga o pato, no final das contas, é o município – que tem que gastar os tubos para se livrar desse lixo todo.

No caso de São Sebastião e Ilhabela, lembrem-se, o lixo é exportado para Tremembé, no Vale do Paraíba. Imagina quanto custa para a prefeitura levar uma sacolinha da Barra do Una, Juréia, Bonete ou da Ilha da Vitória para Tremembé.

Mas isso é uma meia verdade, porque, na realidade, quem paga a conta somos todos nós, os munícipes. Pagamos pelas sacolinhas nos supermercados, padarias, peixarias e os cambaus (porque elas estão embutidas nos preços das mercadorias) e pagamos para a prefeitura se livrar delas. Paga a conta, portanto, até mesmo quem não utiliza uma sacolinha sequer. Nós pagamos também pelas sacolinhas que os veranistas aqui deixam junto com o lixo resultante das compras feitas em suas cidades de origem…

Sabendo de tudo isso e vendo como a coisa acontece em outras nações do planeta azul, sabendo do lobby que a indústria do filme – como também a indústria do plástico e da embalagem PET; bem como as empresas que coletam, reciclam e enterram o lixo – promove em Brasília, fica a certeza que, em bem pouco tempo, muito outros itens entrarão na lista das – logo, logo – 1001 utilidades da sacolinha de supermercado brasílica; a impávida, prestimosa, altaneira, cabocla e legítima sacolinha de supermercado brasílica, sem as quais, hoje, o brasileiro não é nada.

12 de Novembro de 2007

Maniqueístas no esconderijo

Arquivado em: A mandiqüera... — Nivaldo Simões @ 19:48

Ao resolver escrever sobre a questão do nepotismo, tinha certeza que provocaria a reflexão de muitos e atiçaria a ira e o ranço de alguns, porque os maniqueístas de plantão estão com os nervos a flor da pele, de olho nas eleições do próximo ano. Já veio comentário para o blog outro anônimo, infelizmente desancando comigo, fazendo acusações do arco da velha, descabidas e os cambaus. Os covardes ficam valentes no anonimato.

Mas não vou entrar nessa de debater com um apelido, ainda mais quando este descamba pro asqueroso. O Orkut só faz incentivar esse tipo de comportamento sebento, qual seja o de o caboclo – ou cabocla não identificado desancar e acusar os outros sem ter que se preocupar com o “detalhe” de responder na Justiça pelo que disse. Os moderadores não deveriam aceitar nem bom dia de anônimo.

No mais, é de doer ver alguém passar ao largo dos argumentos para atacar o argumentador. Se meus argumentos sobre nepotismo são fracos, que sejam desmontados e, quem o fizer, terá todo o espaço no site, pois é exatamente pra isso que abordei o assunto. Mas os covardes não querem se expor e debater, querem  destilar veneno, como se fossem donos da verdade.

Partir da premissa que em uma administração municipal – qualquer que seja ela nada é feito, tudo é errado e todos são bandidos, estou fora! Tão equivocado e ruim quanto dizer que em uma administração tudo está sendo feito, tudo está certo e todos são anjos.

Um detalhe: mesmo escondendo-se o endereço de e-mail, o blog registra o IP de todos que nele depositam seus comentários, tornando-se se possível – judicialmente ou mesmo administrativamente em alguns casos – chegar ao autor que, ao registrar um e-mail “fantasia”, já age com premeditada ma-fé.

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